quarta-feira, 27 de junho de 2012

O que é o Shinto?

Eu acho que vocês, caso não saibam, devem estar se indagando, ao ler na minha descrição "Interesse em particular pelo Nacional-Socialismo Alemão e pelo Shinto Japonês", sobre o que é o Shinto.

Não é fácil de explicar, então eu peguei da fonte mais fácil possível: A Wikipédia.

Xintoísmo


Ise Jingu - Honden em Naiku, principal dos santuários xintoístas japoneses.
Xintoísmo (em japonês: 神道, transl. Shintō) é o nome dado à espiritualidade tradicional do Japão e dos japoneses, considerado também uma religião pelos estudiosos ocidentais. A palavra Shinto ("Caminho dos Deuses") foi adotada do chinês escrito (神道),[1] através da combinação de dois kanjis: "shin" (神?), que significa "deuses" ou "espíritos" (originalmente da palavra chinesa shen); e "tō" (道?), ou "do", que significa "estudo" ou "caminho filosófico" (originalmente da palavra chinesa tao). Os termos yamato-kotoba (大和言葉) e Kami no michi costumam ser usados de maneira semelhante, e apresentam significados similares.[1][2]
O xintoísmo incorpora práticas espirituais derivadas de diversas tradições pré-históricas japonesas, locais e regionais, porém não surgiu como instituição religiosa formalmente centralizada até a chegada do budismo, confucionismo e daoísmo no país, a partir do século VI.[3] O budismo gradualmente se adaptou, no Japão, à espiritualidade nativa, como por exemplo na inclusão do kami, componente da crença xintoísta, entre os bodisatvas (bosatsu).
As práticas xintoístas foram registradas e codificadas pela primeira vez nos registros escritos históricos do Kojiki e Nihon Shoki, nos séculos VII e VIII. Ainda assim, estes primeiros escritos japoneses não se referem a uma "religião xintoísta" unificada, mas a práticas associadas com as colheitas e outros eventos dos clãs relacionados às estações do ano, aliadas a uma cosmogonia e mitologia unicamente japonesas, que combina tradições espirituais dos clãs ascendentes do Japão arcaico, principalmente das culturas Yamato e Izumo.[2]
O xintoísmo caracteriza-se pelo culto à natureza, aos ancestrais, pelo seu politeísmo e animismo, com uma forte ênfase na pureza espiritual, e que tem como uma de suas práticas honrar e celebrar a existência de Kami (神?), que pode ser definido como "espírito", "essência" ou "divindades", e é associado com múltiplos formatos compreendidos pelos fieis; em alguns casos apresentam uma forma humana, em outros animística, e em outros é associado com forças mais abstratas, "naturais", do mundo (montanhas, rios, relâmpago, vento, ondas, árvores, rochas). Considerado como consistindo de energias e elementos "sagrados", o Kami e as pessoas não são separados, mas existem num mesmo mundo e partilham de sua complexidade interrelacionada.[2] O xintoísmo moderno apresenta uma autoridade teológica central, porém não tem uma teocracia única. Consiste, atualmente, de uma associação inclusiva de santuários locais, regionais e nacionais de variada significância, em importância e história, que exprimem suas diversas crenças através de práticas e idiomas semelhantes, adotando um estilo semelhante no vestuário, arquitetura e ritual, que data dos períodos Nara e Heian.[2]
O xintoísmo tem atualmente cerca de 119 milhões de seguidores no Japão,[4] embora qualquer pessoa que pratique algum tipo de ritual xintoísta seja contado como tal. Geralmente aceita-se que a ampla maioria do povo japonês participe de algum tipo de ritual xintoísta, ao mesmo tempo em que a maior parte também pratica o culto budista aos ancestrais. No entanto, ao contrário de muitas das práticas religiosas monoteístas, o xintoísmo e o budismo tipicamente não exigem daqueles que os professam que sejam crentes ou praticantes, o que torna difícil contabilizar cifras exatas com base na auto-identificação com alguma crença, entre os habitantes do país. Devido à natureza sincrética das duas religiões, a maior parte dos eventos relacionadas à "vida" ficam a cargo dos rituais xintoístas, enquanto os eventos relacionados à "morte" ou à "vida após a morte" ficam a cargo dos rituais budistas (embora isto não seja uma regra); assim, é costumeiro, por exemplo, no Japão, registrar uma criança ou celebrar seu nascimento num santuário xintoísta, enquanto os preparativos para um funeral costumam ser ditados pela tradição budista.
Existem santuários xintoístas em diversos outros países, incluindo os Estados Unidos, Brasil, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Países Baixos, entre outros, e está em vias de expansão para se tornar uma religião global, especialmente com o surgimento de ramos internacionais dos santuários shinto.

História

Origens

O xintoísmo tem raízes muito antigas nas ilhas japonesas. Sua história registrada remonta ao Kojiki (712) e ao Nihon Shoki (720), porém os registros arqueológicos datam de um período significativamente mais antigo. Ambas as obras são compilações de tradições mitológicas orais já existentes. O Kojiki estabelece a família imperial como o alicerce da cultura japonesa, na condição de descendentes de Amaterasu Omikami. Existe também uma genealogia de criação e aparição dos deuses, de acordo com um mito de criação. O Nihonshoki estava mais interessado em criar um sistema estrutural de governo, política externa, hierarquia religiosa e ordem social interna.
Existe um sistema interno de desenvolvimento xintoísta que configura as relações entre o xintoísmo e outras práticas religiosas ao longo de sua história; os Kami ("espíritos") internos e externos. O Kami interno ou ujigami (uji significa "clã") favorece a coesão e a continuação dos papeis e padrões estabelecidos; e o hitogami, ou Kami externo, traz inovação, novas crenças, novas mensagens e alguma instabilidade.
Os povos joomon do Japão utilizavam-se de habitações naturais, ainda não conheciam o cultivo de arroz, e frequentemente eram coletores-caçadores; a evidência física de suas práticas rituais é de difícil documentação. Existem muitos locais que contêm estruturas rituais de pedra, e conhecem-se práticas funerárias refinadas, além dos antigos Torii, que indicam a continuidade do xintoísmo arcaico. Os joomon tinham um sistema tribal baseado em clãs, similar a muitos dos povos indígenas do mundo. No contexto deste sistema, as crenças locais desenvolveram-se naturalmente, e quando a assimilação entre os clãs ocorreu, as crenças de tribos vizinhas acabaram por influenciar as outras. A um certo ponto passou a existir um reconhecimento de que os ancestrais criaram as gerações presentes, e a reverência aos ancestrais (tama) tomou forma. Havia algum comércio entre os povos indígenas das ilhas japonesas e o continente, bem como diversas migrações, o que aumentou o crescimento e a complexidade da espiritualidade dos povos locais, através de sua exposição a novas crenças. Esta espiritualidade, no entanto, ainda era centrada no culto às forças naturais, ou mono, e aos elementos naturais dos quais todos dependiam.
A introdução gradual de organizações religiosas e governamentais metódicas a partir da Ásia continental, começada por volta de 300 a.C., plantou as sementes das mudanças reativas que ocorreriam no xintoísmo arcaico, ao longo dos 700 anos seguintes, em direção a um sistema mais formalizado. Estas mudanças foram dirigidas internamente, pelos diversos clãs, frequentemente como forma de um evento cultural sincrético direcionado às influências externas. Eventualmente, à medida que os yamato conquistaram o poder, um processo de formalização se iniciou. A gênese da casa imperial japonesa, e a criação subsequente do Kojiki, ajudou a facilitar a continuidade necessária para este desenvolvimento a longo prazo. O xintoísmo apresenta hoje em dia um equilíbio entre as influências externas do budismo, do confucionismo, do taoísmo, das religiões abraâmicas, do hinduísmo e de crenças seculares que, embora tenha tido conflitos em seu desenvolvimento, aparenta atualmente ser natural e não-exclusivo. Em períodos mais modernos o xintoísmo desenvolveu também novas formas e suas próprias subdivisões, e até mesmo expandiu-se para além das fronteiras do Japão, tornando-se uma religião global.

Xintoísmo e budismo

O budismo foi introduzido no século VI e trouxe graves consequências para o xintoísmo. Vindo da Coreia, apresentado ao imperador, o budismo, apesar de algumas resistências iniciais, acabou por triunfar, tendo servido para a consolidação do poder imperial, com o apoio dos governantes locais.
Apesar disto, a tendência geral, e mais conforme à mentalidade do Oriente, foi a de fundir as duas religiões, mas sob a égide do budismo.
Durante longos séculos, o budismo impôs a sua influência, sobrepondo-se à religião tradicional, que porém não desapareceu.
Face ao domínio duma religião estrangeira desde logo vários pensadores e sacerdotes procuraram manter a dignidade e o papel desempenhado pela religião tradicional. Na Idade Média, vários destes pensadores fizeram uma união entre os dois tipos de divindades, mas em sentido contrário ao já referido: os budas eram na verdade kami encarnados, que assim deixavam o seu estado original para descerem à terra.
Nos sécs. XVI-XVII, viveu-se um momento de renascimento da cultura japonesa, com o consequente afastamento de influências estrangeiras. Apesar de o budismo não perder substancialmente o seu terreno, ficou agora relegado para segundo plano, a favor de uma tendência nacionalista que se afirmava, e que atingiria o seu ponto culminante no período seguinte.
No âmbito da ideologia profundamente nacionalista da era Meiji, a escolha duma religião oficial recaiu naturalmente sobre o xintoísmo, já antes aclamado como a religião verdadeiramente original do povo japonês, considerado pelo regime como superior a todos os outros.
Criou-se então o chamado xintoísmo de Estado, uma espécie de sacralização do Estado, ou melhor, laicização do xintoísmo. De facto, o xintoísmo foi despido do seu carácter religioso para se tornar um dever cívico de reverência ao Estado e ao imperador.
O xintoísmo estatal permaneceu em vigor durante algumas décadas. Como expressão do nacionalismo japonês, exacerbou-se particularmente por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Com a derrota do Japão, precipitou-se o seu processo de queda. Em 1946, foi proclamada a nova Constituição, pela qual o imperador foi destituído de todas as prerrogativas divinas e de todo o poder político, tornando-se apenas símbolo da unidade nacional.

Terminologia

No princípio, esta religião étnica não tinha nome, mas quando se introduziu o budismo no Japão durante o século VI, um dos nomes que este recebeu foi Butsudo, que significa "o caminho do Buda". Assim, a fim de diferenciar do budismo, a religião nativa passou a ser chamada "xinto" (shinto), palavra de origem chinesa, que combina dois caracteres chineses (kanji): "shin" (神?), significando deuses ou espíritos (quando lido sozinho é pronunciado "kami") e "tō" (道?), que significa caminho filosófico. Assim, xinto significa "o caminho dos deuses". O nome chinês foi escolhido porque na época apenas o chinês era escrito no Japão, já que não haviam desenvolvido ainda a escrita japonesa.

Tipos de xintoísmo

Reconhecem-se várias expressões do xintoísmo, que são o resultado da evolução histórica da religião, lugar da sua manifestação e prática religiosa dos adeptos.
  • Xintoísmo dos santuários Jinja Shinto (神社神道): é o conjunto de crenças que se exprimem através das festas e das venerações nos santuários. Praticamente todos os santuários pertencem à Associação dos Santuários (Jinja honchó), fundada em Tóquio no ano de 1946.
  • Xintoísmo doméstico: exprime-se nos lares japoneses. Nas casas xintoístas existe em geral um pequeno altar consagrado aos deuses, o kamidana. Em cima deste altar encontra-se muitas vezes um amuleto oriundo do santuário local, do Grande Santuário de Ise e em alguns casos. Nestes altares colocam-se oferendas (saquê, arroz, sal) e recitam-se orações.
  • Xintoísmo imperial Koushitsu Shinto (皇室神道): é o resultado do desenvolvimento na casa imperial da prática dos ritos e cerimónias do xintoísmo.
  • Xintoísmo folclórico Minkan Shinto(民間神道): caracteriza-se pela ausência de uma sistematização doutrinária e de uma organização. É o tipo de xintoísmo praticado essencialmente pelos pequenos vilarejos.
  • Xintoísmo das seitas Kyoha Shinto (教派神道): é composto essencialmente pelas treze seitas reconhecidas pelo Estado dos Meiji entre 1876 e 1908. Estas seitas possuem em geral um fundador (homem ou mulher). Até ao fim da Segunda Guerra Mundial, os grupos xintoístas que não pertenciam a uma das treze seitas não eram reconhecidos pelo Estado, o que gerou a integração de muitos desses grupos numa das seitas existentes. Depois da guerra, e tendo sido declarada a liberdade religiosa, alguns grupos estabeleceram-se como organizações independentes.

Escrituras sagradas

O xintoísmo não possui um livro sagrado, como a Bíblia ou o Alcorão. Há no entanto um conjunto de textos sobre os ensinamentos da religião que recebem o nome de Shinten, "escrituras sagradas", mas não são considerados textos revelados ou de carácter sobrenatural.
  • Kojiki (古事記) ("Anais das coisas antigas"): datado de 712, é o texto sagrado mais antigo, sendo composto por três volumes.
  • Nihonshoki (日本書紀) ("Crônicas do Japão"): foi redigido em 720 em chinês em 30 volumes. Também conhecido como Nihongi.
  • Kogo-shui(古語拾遺): compilação das tradições do clã dos Imbe, uma família que junto com a família dos Nakatomi era responsável pelos ritos. A sua redacção foi concluída em 807.
Estes livros apresentam as narrativas míticas da tradição xintoísta. Os mitos descritos referem-se a um caos primordial em que os elementos se mesclam em massa amorfa e indistinta, "como num ovo". Os deuses surgiram desse caos.

Crenças do xintoísmo

Kami


O xintoísmo baseia-se no culto aos kami (神). Esta palavra é frequentemente traduzida por "deus" ou "divindade", o que não traduz completamente o conceito, dado que os kami pode ser também forças vitais ou espíritos da natureza. Ao contrário dos deuses das outras religiões, os kami não são onipotentes ou oniscientes, possuindo poderes limitados. Nem todos kami são bons. Alguns kami são locais ou conhecidos como espíritos de um local em particular ou a lugares (montanhas, ervas, árvores, vales, rios, mares, encruzilhadas). Outros representam elementos ou processos da natureza, como por exemplo, Amaterasu, a deusa do Sol, Tsukiyomi, deus da lua, Susanoo, deus dos oceanos e das tempestades.
Existem kami ligados a fenômenos atmosféricos (chuva, vento (Fujin), trovão...), e kamis associados à vida humana (vestuário, transportes, ofícios, etc.). Incluem-se ainda no conceito de kami os espíritos de homens notáveis, como de certos guerreiros. Os espíritos dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande relevo.
Os textos xintoístas referem-se a "oitocentas miríades" de kami (八百万神yaoyorozu no kami); este número não deve ser interpretado literalmente, pretendendo-se apenas transmitir a noção de que existem inúmeros kami. Os kami não são perceptíveis pelo ser humano.
Podem ser divididos em dois tipos: os que habitam no céu (天津神 amatsukami) e os que habitam na terra (国津神 kunitsukami). Os primeiros trazem à terra influências positivas, enquanto que os segundos mantêm-na como ela.
O kami mais eminente é a deusa-sol Amaterasu Oo-mikami, antepassada da família real japonesa. O seu santuário principal é o Grande Santuário de Ise.

Cosmologia xintoísta

Em relação à estrutura do mundo, existem duas concepções diferentes, que se cruzam e se tomam muitas vezes em paralelo, sem se contradizerem, pois representam duas perspectivas diferentes e complementares.
A primeira delas é vertical e fala de três mundos distintos: a “Alta Planície Celeste” (高天原 Takama no Hara), morada dos kami do céu, de onde eles descem, para dar paz, ordem e felicidade. É um mundo descrito como reflexo do mundo dos humanos, uma espécie de Japão plenamente belo e perfeito; segue-se o “País do Meio da Planície dos Canaviais”, morada dos homens, onde os kami desceram; por último, o chamado “País de Yomi”(黄泉の国 Yomi no Kuni ), subterrâneo, moradia dos mortos, terra de máculas e de pecados, onde habitam os espíritos malignos que influenciam o homem para o mal. Esta tradição é a principal da mitologia xintoísta e reflecte os meios aristocráticos.
A segunda concepção é horizontal, e coloca lado a lado o "País do Meio" e o chamado "País dos Mortos" que, ao contrário do que o nome indica, é uma terra de delícias, situada para além dos mares, onde habitam os espíritos purificados dos antepassados, que visitam este mundo, trazendo felicidade e protecção aos viventes. Esta concepção é de cariz mais popular. Há que notar, mais uma vez, que o xintoísmo atribui a importância fundamental a este mundo. De facto, tanto kami como antepassados, embora habitem noutros planos, conservam estreitas relações com o mundo dos humanos.
É claro que estas concepções devem ser lidas, não de modo físico, sob o qual se tornariam ultrapassadas, mas de modo metafísico, como na religião cristã.

A natureza

Há que reconhecer que o homem vive graças à natureza, a tudo quanto ela lhe fornece, pelo que a sua atitude deve ser de profunda gratidão e reverência. Mesmo quando a natureza se desenfreia, o ser humano é forçado a reconhecer que muito maiores são os benefícios que dela recebe. O homem, apesar de todo o seu avanço tecnológico, não possui poder pleno, e deve reconhecer a sua humildade, num espírito de coexistência pacífica.
Há inúmeras divindades ligadas a elementos naturais, o que atesta que tudo é governado pelos kami. Logo, a natureza reveste um carácter sagrado, regendo-se por uma vontade e sensibilidade próprias, por uma espiritualidade misteriosa, mais do que propriamente por leis naturais.
Sendo que toda a natureza descende de "kamis" assim como a humanidade, fica claro que tudo está interligado tendo como origem em comum um ancestral divino. Assim sendo o ser humano e a natureza, seus elementos, minerais, vegetais e animais, são parentes.
A vida dessassociada da natureza é incompatível com o Xintô, o ser humano não deve combatê-la ou transformá-la sem necessidade vital. É comum aos praticantes xintoístas o retiro para ambientes onde possam promover a integração com a natureza, uma forma de purificação, elevação espiritual, e oportunidade para reflexão e meditação.
Como já foi dito na introdução, o Xintô e a própria cultura japonesa pregam que sendo a natureza sagrada, sua destruição é indesejável, e não existe o sentimento de hostilidade inerente recíproca imperante no ocidente.
Outra prática bastante disseminada é a deificação de determinados elementos naturais em especial. Como por exemplo a árvore que representa um família ou um rocha que ocupa lugar de destaque em determinada cidade. Principalmente na antiguidade, era tradicional em muitas aldeias a veneração de algum "ícone" que representasse bem seu povoado ou dinastia.
O comportamento xintoísta é tão avesso a interferência no cenário natural, para ele é sagrado e perfeito, que qualquer atividade que implique em utilização ostensiva dos recursos naturais deve ser recompensada no mínimo com a construção de um templo dedicado a natureza.

As Montanhas

As montanhas no Japão são muito numerosas e estão envolvidas nos aspectos da vida diária, é delas que brotam os rios, e são consideradas sagradas. Não são kami em si, mas sim moradias de kami. O território montanhoso é tão respeitado que mesmo hoje em dia, o alpinismo não é uma atividade muito difundida pelo povo japonês, e isso num país onde é difícil ver todo um horizonte livre da presença de montanhas.
É muito comum a construção de templos nessas regiões, assim como cerimônias de deificação e requisição de boas colheitas à "deusa do arrozal" que vive nas montanhas. Nas lendas japonesas as montanhas ocupam lugar de destaque na associação com grandes desafios, buscas e peregrinações.

Moral

Como vimos, o homem é considerado como naturalmente bom e puro, participante da natureza dos kami, e que o pecado e a impureza se devem a influências malignas dos espíritos habitantes do mundo inferior. Por isso, o homem recebe directamente dos kami uma componente natural, um ideal celeste a ser realizado nesta vida, modelo de vivência dado e aceite como meta, e que representa a ligação da vida humana à vida divina. Este é o maior conceito moral do xintoísmo, o chamado michi, termo que significa “caminho”. Trata-se de um ideal de justiça e de carácter, de que ninguém se deve afastar, elemento básico da vida xintoísta e do próprio culto. O michi, obediência ao curso da natureza, reveste-se duma extrema simplicidade e naturalidade.
Para o xintoísmo, a vida só alcança o seu sentido e a sua finalidade se for vivida na pureza, que é o seu estado natural. A vida que não leva isto em conta é radicalmente antixintoísta e não agrada aos kami que, desgostosos, podem mandar vários tipos de desgraças para avisar o pecador, e até mesmo castigá-lo. Procura-se esse ideal de pureza, tanto corporal como mental e espiritual, que leva o homem à sua plenitude. Embora o homem não possa controlar tudo o que acontece e pode danificar a sua pureza, tem a responsabilidade de procurar viver uma vida autenticamente xintoísta, recta, clara e honesta, segundo a vontade dos kami.
Vítima de forças que lhe escapam, o homem corrompido é alguém que deixou de pertencer, durante algum tempo, ao mundo da bondade e da felicidade, possuindo, porém, o direito de voltar a ele. Por isso, o pecado e a falta moral, embora reconhecidos, revestem um carácter diferente do que têm para os ocidentais.
Aquilo que pode danificar a pureza pode ser de carácter voluntário ou involuntário. As faltas voluntárias são verdadeiros pecados, da responsabilidade daquele que os pratica, e denominam-se tsumi. As faltas involuntárias não fazem, obviamente, a pessoa incorrer em igual responsabilidade, embora ela possa ter contribuído para a situação, devido à sua má conduta ou imprudência. Incluem-se neste grupo as calamidades ou desgraças (wazawai) e as manchas, impurezas (kegari), adquiridas por contactos com elementos como a cadáver, o sangue, as relações carnais, etc. Estes males, como vimos, têm origem no mundo inferior, que envia as calamidades e impurezas e incita aos crimes. Para afastar a sua nefasta influência, realizam-se vários tipos de exorcismos.
Isto, que parece uma confusão entre mal moral e acontecimentos fortuitos, tem a sua justificação no preceito fundamental da pureza que, para muitos pensadores xintoístas, se sobrepõe aos ritos e ao culto.
Tudo isto é a concepção geral acerca da moralidade. No que se refere ao concreto, as concepções morais rigidos do xintoísmo apresentam bastante pobreza, pois não se encontram códigos morais definidos propriamente ditos, como existem noutras religiões orientais, como o confucionismo, por exemplo. O michi apresenta-se como algo extremamente vago e simples, o que pode levar a pensar que o xintoísmo rejeita propositadamente qualquer tipo de regras concretas de moral.
Mas, a este respeito, um grande teólogo xintoísta, Motoori (1730-1801), apresenta uma teoria interessante. Diz ele que os homens foram naturalmente dotados pelos kami de conhecimento do que devem ou não fazer, pelo que não precisam de códigos morais. Se necessitassem de tal coisa, seriam inferiores aos animais que, embora em grau inferior, sabem como devem proceder. A ausência deliberada dum código moral no xintoísmo é, para Motoori, motivo de orgulho, pois significa que aos japoneses basta-lhes seguirem a moral do coração e do espírito puro, neles inscrita pelos kami. Os chineses e outros, por exemplo, com as suas abundantes teorias morais, só mostravam que eram, na verdade, pessoas perversas e depravadas.

Culto

Finalidade do culto xintoísta

As práticas do xintoísmo têm a finalidade de se dirigirem aos kami, para que escutem a oração dos fiéis. As orações podem ter diversos sentidos: pedidos, muitas vezes relacionados com a vida do dia-a-dia ou com alguma ocasião importante; acções de graças, por um benefício concedido, uma meta atingida, um obstáculo ultrapassado; promessas de acção futura em favor dos homens e da sociedade; tentativas de aplacar a fúria dos kami, irritados por alguma coisa; ou, muito simplesmente, para os louvar, rendendo-lhes homenagem sincera, sem esperar propriamente nada de especial em troca.
Através de vários elementos, os fiéis podem estabelecer relação com os kami, relação muitas vezes de carácter filial, em que uma divindade é tutelar de dada região ou localidade. Os "paroquianos" estabelecem especial ligação com esse kami, que os atende e protege, nos mais variados acontecimentos da sua vida.

Organização sacerdotal

Os santuários têm ao seu serviço um número variável de sacerdotes, que neles oficiam de vários modos. São designados pelo termo kannushi(神主), que significa “mestre do kami”, ou então pelo termo chinês shinshoku(神職), “pessoa cuja profissão é servir a divindade”.
A sua principal função é a de servir e adorar os kami e servir como um elo entre eles e os crentes através da execução dos ritos nos santuários, visando assegurar a proteção do povo japonês e do imperador.
Não costumam falar em público, tendo sido mesmo proibidos disso em 1885, no contexto do xintoísmo de Estado. Hoje em dia, porém, os sacerdotes pregadores começam a ser apreciados. Não são considerados como chefes ou guias espirituais, mas somente como oficiantes de atos de culto, a pedido dos fiéis e em seu benefício.
O sacerdócio xintoísta é aberto às mulheres. As sacerdotisas têm mesmo tendência a aumentar, encontrando-se algumas à frente de grandes templos. O sacerdócio feminino desenvolveu-se no Japão após a Segunda Guerra Mundial. Para além de sacerdotisas, as mulheres podem ainda ser mikos(巫女). Uma miko é uma virgem que leva uma vida monástica, ajudando os sacerdotes a executar os ritos nos templos e executando as danças sagradas. Exercem estas funções durante cinco a dez anos.
Os sacerdotes repartem-se por várias categorias. A mais elevada é a de Princesa consagrada ao kami(祭 主 "saishu"), uma princesa virgem da família imperial. Atualmente, só existe uma, no santuário de Ise. Em seguida, temos o Grande Sacerdote, à frente de cada santuário, e depois o restante clero, que se reparte por funções diferenciadas.
Hoje em dia, verifica-se uma nova preocupação em revitalizar o xintoísmo e os santuários, buscando novas tendências, pelo que se tem agora grande cuidado com a preparação intelectual e teológica dos candidatos a sacerdotes. Os regulamentos atuais prevêem vários diplomas possíveis, dos quais pelo menos um é exigido aos sacerdotes, que apenas o obtêm após vários anos de estudo em universidades ou institutos especiais. Hoje em dia a formação de um sacerdote xintoísta é garantida pela frequência de um curso na Universidade de Kokugakuim ou da Universidade de Kogakkan.
Os sacerdotes, uma vez consagrados, mantêm as suas funções habitualmente toda a vida, mesmo não sendo obrigados a exercê-las. Moram fora do santuário, com exceção do Grande Sacerdote. Os sacerdotes xintoístas não são obrigados a levar uma vida de castidade, podendo casar e fundar uma família, o que geralmente fazem.
As vestes sacerdotais apresentam grande beleza artística, de raízes nos séculos passados, mas só são utilizadas nos santuários e em ocasiões especiais na rua. A indumentária para o culto fica completa com um toucado especial e sapatos próprios. Sobre a testa de um "Yamabushi", coloca-se uma pequena caixa preta chamada "tokin", que é amarrada à sua cabeça com um cordão preto. Durante as cerimónias, os sacerdotes costumam trazer também uma espécie de ceptro de madeira, que tem um significado purificador, mas sobre o qual não recai qualquer tipo de veneração.
Fora das funções rituais, os sacerdotes não usam qualquer tipo de sinal exterior, que os distinga dos leigos.

Os santuários

Os santuários xintoístas espalham-se por todo o Japão, constituindo lugares privilegiados de culto. Mas, embora surjam por todo o lado, têm geralmente alguma razão especial para existir: um fenómeno natural, um acontecimento histórico ou mítico, a simples devoção pessoal ou o patronato político. Também os há motivados por revelações em sonhos, ou porque simplesmente era necessário um lugar de culto naquele local.
Quando o local de construção de um novo santuário é escolhido, põe-se em prática uma série de ritos, destinados a purificar o lugar e a invocar a presença do kami, para que se digne vir habitar naquele sítio. Se mais tarde for decidido deixar aquele santuário ou mudá-lo para outro lugar, existem os ritos inversos, pelos quais se convida delicadamente o kami a retirar-se.
O santuário encontra-se na base do xintoísmo. É nesse local que a divindade habita e que escuta os seus fiéis, e é também centro de ligação da comunidade e de partilha de identidade. Neste contexto, podem distinguir-se três grandes tipos de santuários, conforme a abrangência que possuem:
  • os de dimensão local, centros de partilha de uma comunidade reduzida, onde se venera o kami da localidade. Este tipo de santuário congrega em torno de si as pessoas da aldeia, que sentem uma filiação comum em relação à divindade. O santuário aparece como local de estreitamento de relações entre kami e paroquianos.
  • santuários de tipo particular, mais abrangentes, procurados por motivos concretos e determinados, como o êxito nos negócios ou nos estudos, ou outro tipo de protecção especial. Este género de santuários encontra-se por todo o Japão.
  • por último, os grandes santuários nacionais, destino de peregrinação de milhões de pessoas, todos os anos, dos quais o mais importante é o de Ise, já referido, em honra da deusa Amaterasu, e que está directamente ligado à casa imperial.
Além destes, há ainda templos dedicados a kami de guerra, a valores marciais ou em honra de pessoas notáveis, a quem se pedem favores específicos.
O santuário é entendido como um local onde as pessoas se vêm “refrescar” espiritualmente. Neles, está-se em profunda comunhão com a natureza, que abre o homem a uma espiritualidade plena e à identificação pessoal com os kami.
Os templos xintoístas podem assumir as mais diversas formas e tamanhos, mas apresentam certos aspectos em comum. Todos eles são constituídos por um edifício, ou um conjunto deles, inseridos num espaço envolvente, rodeados pela natureza. Têm particular importância as árvores, principalmente a árvore sagrada, sakaki (榊), utilizada em muitos dos rituais.
O espaço em volta do edifício principal é por vezes muito extenso, e apresenta-se dividido em várias partes. Ao longo do caminho, que nunca é em linha recta, encontra-se uma série de diferentes elementos separadores, que marcam também etapas duma caminhada espiritual. São eles:
  • os torii(鳥 居), muito característicos dos templos japoneses, que são uma espécie de portais sem porta, constituídos por dois postes verticais e duas traves horizontais. Aparece um de imediato no início do caminho e depois geralmente mais dois, ou mesmo uma grande fila deles. A série de torii repete-se para cada via de acesso ao santuário;
  • pontes, por vezes várias, até se chegar ao templo algumas monumentais e muito elaboradas. A água é um elemento purificador, pelo que os cursos de água debaixo das pontes constituem uma eficaz barreira contra toda a impureza;
  • barreiras e paliçadas, com portas, que simbolizam a entrada no local sagrado, reservado ao homem puro.
Encontram-se também jardins, lagos, lanternas. Ainda antes de se chegar ao edifício principal, depara-se um tanque de água limpa, geralmente abrigado por um alpendre, no qual os fiéis se lavam, purificando-se de todas as impurezas e pecados, servindo-se, para isso, dumas colheres compridas de bambu, para tirar a água.
É costume também, em ocasiões solenes, libertar aves, peixes e outros animais.
Chegamos, finalmente, ao edifício do templo. Pode haver vários, num mesmo santuário, dirigidos a diferentes kami. Têm geralmente dimensões modestas, não obstante a grande diversidade de tamanhos. São constituídos por três secções:
  • uma sala de orações (Haiden) (拝殿) para os fiéis, onde eles dirigem as suas preces ao kami. À entrada está uma grande caixa de madeira, para depositar moedas, e um sino, ligado a uma corda, que serve para advertir o kami da presença do fiel;
  • uma sala mais pequena (Honden) (本殿), nunca visitada, considerada a morada física do kami, e onde podem estar depositados objectos simbólicos, como espelhos, jóias ou espadas, invólucros onde reside o espírito da divindade. O espelho, particularmente, é considerado morada privilegiada do espírito divino, e tem origem muito antiga, sendo já mencionado na mitologia japonesa.
Alguns templos prevêem nos seus estatutos serem totalmente reconstruídos periodicamente. É o caso do templo de Ise, reconstruído de vinte em vinte anos. Essa ocasião é rodeada de ritos próprios, para convidar o kami a mudar de residência. Embora reconstruídos, os templos mantêm o estilo do anterior, pelo que os novos não diferem dos antigos e originais.
Alguns santuários possuem também uma espécie de museu, não raras vezes repleto de peças de grande valor, consideradas espólio da divindade.
Os ritos exercidos nos santuários, apesar de muito diversos, apresentam o seguinte esquema: o sacerdote, depois de purificado, invoca o kami. Faz ofertas propiciatórias, de bebidas e alimentos, a que se segue a oferta de jogos, danças e representações, para entreter a divindade. No fim, o kami é convidado a retirar-se, seguindo-se uma refeição fraterna.

Ritos de purificação

A purificação é uma prática fundamental em toda a prática xintoísta. É por ela que o homem se liberta, regressando ao seu estado inicial de pureza, a que tem direito. Para a purificação, que antecede qualquer acto religioso, particular ou comunitário, utilizam-se diversos ritos, que assumem formas diferentes.
Os kami não suportam a impureza, pelo que se exerce sempre um conjunto de práticas purificativas antes do culto propriamente dito, que tornam puros os participantes, os objectos e as oferendas. Os ritos de purificação assumem três formas distintas:
  • o misogi (禊), que consiste na purificação por meio da água. A água é tida como poderoso elemento purificador, crença já muito antiga, pois é referida na mitologia: o deus Izanagi, depois de fugir dos infernos, banhou-se na água dum rio, para se purificar das imundícies contraídas naquele lugar. Ao banhar-se ou lavar-se na água, o fiel xintoísta obtém a purificação das impurezas, tanto das voluntárias como das involuntárias. Pela água, purifica-se o corpo e a alma. O misogi é depois estendido a níveis sucessivamente superiores: o coração, o meio envolvente, a alma;
  • o harai (祓), que é um tipo de purificação algo próximo do exorcismo. É realizado por um sacerdote, que agita sobre o que deve ser purificado ramos da árvore sagrada, sakaki, ou uma vara com tiras de papel penduradas, ónusa e joga-se um punhado de sal. Por este meio, obtém-se a purificação de todas as manchas, corporais e espirituais, bem como o afastamento de todas as influências malignas.
Duas vezes por ano, no fim de Junho e de Dezembro, realiza-se uma purificação solene, ou grande exorcismo, o chamado o-harai. No recinto do santuário, reúnem-se muitas pessoas, que recebem umas tiras de cânhamo ou de papel branco (kirinusa). Depois de recitar a oração de purificação, o sacerdote agita a vara com os papéis, enquanto as pessoas agitam também as suas tiras. Estas tornam-se objectos de substituição, contendo todas as impurezas, e são lançadas a rios ou ao mar. Nalguns santuários, um exercício semelhante é feito com papéis recortados em forma humana (hitogata), que a pessoa passa pelo corpo, depois de neles ter escrito o nome;
  • o imi (忌), que é um período de jejum a ser realizado antes das cerimónias. Tem duração diferente, conforme a importância do rito. Consiste em abster-se de determinados alimentos e bebidas, bem como de palavras e acções menos próprias. É um período de recolhimento pessoal, evitando todo o tipo de impureza, sem se ouvir música e sem se preocupar com assuntos que causem fadiga ou sofrimento. Este tipo de purificação é principalmente realizado pelos sacerdotes, que se retiram para outro lugar e fazem abluções. Após este tempo, qualquer pessoa está apta a participar nas cerimónias mais importantes.

Culto individual


Templo xintoísta de Jyuniso.
Na sua vida diária, todo o fiel xintoísta tem a obrigação de prestar homenagem aos kami, o que pode ser feito nos mais variados lugares e ocasiões, desde a casa até ao templo passando pelo campo ou pela rua.
Revestem uma importância particular as visitas aos santuários, que podem ser realizadas com diferentes objectivos: prestar contas, louvar, agradecer ou rogar. Todos os fiéis têm como dever ir visitar periodicamente o kami e relatar-lhe o que lhe tem acontecido na vida diária, não no intuito de pedir perdão, mas para simples informação. É comum também agradecer graças recebidas ou louvar simplesmente o kami. O pedido de graças faz-se geralmente em favor de outra pessoa ou da sociedade, pois considera-se de mau tom pedir para si próprio. As orações também não devem ser muito longas, complexas, para não aborrecer o kami. Muitas vezes, são os sacerdotes os encarregados de transmitir as preces às divindades, devendo saber interpretar, por sinais diversos, se a oração foi ou não bem recebida. A adivinhação é um rito que também acompanha frequentemente o rito individual: faz-se através de varetas numeradas, dentro duma caixa, que correspondem a predições e conselhos.
Põem-se em prática também uma série de rituais específicos, entre os quais o mais característico é o bater das palmas. Depois de reverências solenes, diante do templo do kami, o devoto bate várias vezes as palmas, finalizando de novo com reverências. Este gesto parece destinar-se a atrair a atenção da divindade, mas o seu sentido não se esgota simplesmente aí.
As ofertas feitas são geralmente de ramos de sakaki, a que se prendem tiras de papel.
Em sua casa, os fiéis têm geralmente um pequeno altar doméstico (kamidana), onde colocam vários amuletos: um do santuário local, outro do grande santuário nacional de Ise, e mais algum, conforme as devoções e preferências. Todas as manhãs, são feitas oferendas: saquê (aguardente de arroz), arroz, sal. Acende-se uma lamparina e fazem-se orações aos kami.
Um outro costume é o das peregrinações. Os japoneses apreciam peregrinar, ganhando méritos pela austeridade e pelas privações. Mas é claro que hoje em dia as viagens são muito mais confortáveis. É hábito ter um livrinho, onde se registam os emblemas dos vários santuários percorridos, assim como adquirir amuletos, que servem de recordações.

Festas

A religião xintoísta comemora um grande número de festas, com uma grande variedade de costumes e de motivos para celebrar. Não raramente, verifica-se um grande intercâmbio entre religião e estado civil: várias festividades xintoístas são feitas feriados, e vice-versa. As festas dividem-se em dois grupos: as comunitárias, respeitantes à população em geral, e as particulares, de âmbito mais pessoal e familiar.
Diversos tipos de ritos festivos são celebrados nos santuários. Cotidianamente, fazem-se cerimónias de oferendas, de manhã. No primeiro dia de cada mês também há ritos próprios. Estes são ritos de dimensão modesta.

Reisai

Cada santuário, uma ou duas vezes por ano, celebra uma data festiva, relacionada com o kami ou com o seu templo. O dia em que é celebrada a festa pode ter múltiplos significados: pode corresponder ao dia de fundação do santuário, a um dia importante na sua história ou ser um dia associado à divindade do santuário.
Durante estas festas ocorre geralmente uma procissão dos kami, razão pela qual as festas são também chamadas de shinkó-sai ("Festa da Procissão dos Deuses") ou togyo-sai ("Festa da Augusta Travessia"). Os kami são instalados num carro (hóren) ou num palanquim (mikoshi) e são passeados pela aldeia ou cidade.
Junta-se muita gente, que agita ramos de árvore e estandartes, fazendo daquele acontecimento algo muito colorido e vistoso. Estabelecem-se locais de paragem, para o kami descansar. A finalidade deste acto é simplesmente entreter e divertir a divindade, pedindo-lhe, ao mesmo tempo, que continue a dispensar a sua protecção. Estas festas são também ocasião para jogos, artes e danças, tendo especial significado para o estreitamento de laços entre kami e paroquianos, e destes entre si.

Festas da Primavera

São várias as festas da Primavera (haru matsuri). No dia 17 de Fevereiro desenrola-se a festa Toshigoi-matsuri no palácio imperial e em todos os santuários do Japão, durante a qual é feita uma prece que solicita boas colheitas e a prosperidade do país.

Festas do Verão

Estas festas (natsu matsuri) são essencialmente urbanas e tem como principal objectivo afastar as calamidades.
Uma das festas de Verão mais conhecidas é o Festival de Gion que se desenrola no santuário Yasaka em Quioto no mês de Julho e que inclui uma marcha com carros ricamente decorados. Segundo a tradição esta festa teria surgido no começo da época Heian, num tempo marcado por grande número de epidemias; para afastá-las os demónios aos quais se atribuíam estas doenças realizavam-se orações.
Outra importante festa é a do Rei Celeste (Tennó-matsuri) que tem lugar no santuário Tsushima situado na cidade com o mesmo nome (em Aichi). Na véspera da festa ocorre uma cerimónia na qual todas as impurezas são colocadas em canas que são largadas no rio. No dia da festa vários barcos, decorados com lanternas, deslizam pelo rio Tenno ao som de música e à luz de fogos-de-artifício.

Festas do Outono

As festas do Outono (aki matsuri) servem para agradecer às divindades pela existência de uma colheita abundante.
No santuário de Ise, a 17 de Outubro, decorre o importante rito do kanname-sai ("cerimónia da prova"), durante o qual as primícias das colheitas dos cereais são oferecidos à deusa Amaterasu. São também feitas oferendas das primeiras espigas de arroz cultivadas pelo imperador e pelos agricultores das províncias.
A 23 de Novembro, é o dia de Agradecimento pelo Trabalho, com novas ofertas e orações pela prosperidade do Japão.

Feriados

  • O Ano Novo, em que os fiéis acorrem aos santuários, para a primeira peregrinação do ano
  • O dia da Fundação da Nação, a 11 de Fevereiro, data tradicional da subida ao trono do primeiro imperador (660 a.C.), em que se ora pelo progresso do império
  • O dia do Respeito pelas Pessoas Idosas, a 15 de Setembro, em que se apela ao amor e agradecimento aos mais velhos

Xintoísmo e ciclo de vida

Os vários momentos da vida humana, muitas vezes ligados a ritos de passagem, são ocasião para realizar um tipo de festas de motivação mais pessoal, realizadas no seio da família. São ocasião de agradecimento, de pedido e de renovação de propósitos para com os kami.

Primeira apresentação no santuário

A primeira apresentação no santuário ou hatsumyia mairi consiste em levar ao santuário local os recém-nascidos para serem apresentados às divindades. No caso dos meninos a apresentação ocorre no trigésimo primeiro dia e nas meninas no trigésimo terceiro dia (embora possam ocorrer variantes locais quanto ao número de dias). No passado era hábito a criança ser levada ao santuário pela avó, porque se considerava que a mãe estava impura por ter dado à luz, mas hoje em dia a criança é muitas vezes levada pela mãe.

Shichigosan

No dia 15 de Novembro as famílias deslocam-se aos santuários com os filhos para agradecer aos kami o fato destes gozarem de saúde e para orar pelo seu crescimento. As crianças que acompanham os pais são os meninos de três e cinco anos e as meninas de três e sete anos. O nome do festival deriva precisamente da idade das crianças: shichi(sete), go (cinco) e san (três).

Celebração da maturidade

A 15 de Janeiro celebra-se a festa da Idade Adulta (Seijin Shiki). Nesse dia os jovens com vinte anos reúnem-se nos santuários para receber uma bênção, embora a festa também possua um carácter estatal, com cerimónias nas prefeituras. A Constituição japonesa atribui a maioridade aos jovens que atingiram os vinte anos.

Outros momentos

  • votos por um parto fácil: no quinto mês, a mulher grávida coloca no ventre um cinto de tecido branco, purificado, para proteger o feto, e ora pela criança que vai nascer;
  • as festas chamadas de sekku, que para os meninos é no dia 5 de Abril, em que se estendem estandartes em forma de carpa, se fazem bonecos em figura de guerreiros e se oferecem bolos. Para as meninas, é no dia 3 de Março, em que se colocam bonecas sobre um estrado e se oferecem bebidas, doces e bolos;
  • a entrada na vida activa, que é ocasião para o jovem agradecer aos kami, comprometendo-se a dar o seu melhor para o serviço da sociedade;
  • o casamento, que é celebrado numa cerimónia muito solene, na presença de um sacerdote, que inclui oferendas, orações e promessas aos kami, seguindo-se um banquete;
  • a expulsão das maldições. Certas idades são consideradas nefastas, sujeitas a desgraças: 35, 42 e 61 anos para os homens e 19, 33 e 37 anos para as mulheres. Nessas alturas, um sacerdote realiza um exorcismo próprio e recomenda bastante prudência, pois as dificuldades ameaçam acumular-se;
  • as festas de longevidade: certos aniversários são comemorados com uma festa familiar e uma visita ao santuário. É o que se faz no 60º, 70º, 77º, 80º, 88º, 90º e 99º aniversários.

Influências

A tradição religiosa do xintoísmo é anterior ao budismo, que posteriormente foi introduzido no Japão no século VI. O contato entre as duas religiões modificou ambas. Os budistas adotaram divindades xintoístas, e estes, que consideravam seus deuses espíritos invisíveis e sem formas precisas, aprenderam com o budismo a erigir imagens e templos votivos. Proclamou-se inclusive que as duas religiões eram manifestações diferentes da mesma verdade, o que originou uma tendência sincretista. Ambas religiões representam a religiosidade japonesa e os japoneses chegam a praticar os ritos de ambas tradições de acordo com a natureza da ocasião (por exemplo, preferem rituais xintoístas para rituais de nascimento e casamento e rituais budistas em eventos fúnebres).
Algumas das novas religiões japonesas tem forte influência xintoísta.
O xintoísmo não pretende converter, por isso sua expansão fora das ilhas japonesas limitou-se geralmente a descendentes de japoneses.

Referências

  1. ↑ a b Sokyo, Ono. Shinto: The Kami Way. 1st ed. Rutland, VT: Charles E Tuttle Co, 1962. 2 p. (OCLC 40672426) ISBN 0-8048-1960-2
  2. ↑ a b c d Richard Pilgrim, Robert Ellwood. Japanese Religion. 1st ed. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice Hall Inc, 1985 pages. ISBN 0-13-5092282-5
  3. ↑ "Bocking, Brian. A Popular Dictionary of Shinto. 1st ed. Lincolnwood, Illinois: NTC Contemporary Publishing Company, 1997. vii p. ISBN 0-8442-0425-0
  4. ↑ Centro de Estudos de Países da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

segunda-feira, 11 de junho de 2012

“What do you think about Iran?”



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Samy Adghirni
Um brasileiro no Irã

04/06/12 - 13:28

Xenofobia é o medo daquele ou daquela que vem de fora, a rejeição de quem não é “como a gente”. O sentimento oposto, de amor ao estrangeiro, chama-se xenofilia. E os iranianos estão entre os povos mais xenófilos que já vi em anos de viagem pelo mundo.

Os mais receptivos e entusiasmados costumam ser os jovens. Quando percebem a presença de algum gringo na rua, é comum pedirem para tirar foto ou perguntarem qual o seu email ou contato no Facebook (barrado, mas usado em larga escala por meio de antifiltros). Alguns estrangeiros acabam até convidados para almoçar na casa de desconhecidos. A gentileza pode chegar ao ponto de ser embaraçosa para os padrões ocidentais. Mas o que os iranianos mais gostam é bater papo com quem é de fora. Tanto para praticar o inglês quanto para saber o que mundo pensa deles _ e quem sabe ajudar a melhorar a péssima imagem externa do país.

A conversa geralmente começa com o tradicional “welcome to Iran”, seguido da pergunta “what do you think about Iran?”, que pode ser declinada de outras maneiras, como “what is your opinion about Iran?”, “do you like Iran?” ou, em casos de inglês mais precário, “Iran good?”.

A interrogação reflete um sentimento contraditório amplamente difundido por aqui.

Por um lado, os iranianos são conscientes de que boa parte do mundo não gosta ou tem medo deles. Ressentem-se muito dos estereótipos negativos, que incluem um governo visto como fanático, supostos planos malignos para fabricar uma bomba atômica e relatos de apoio a grupos armados radicais no Oriente Médio.

Por outro lado, a população iraniana tende a ser ufanista e nacionalista ao extremo. Difícil achar alguém que não veja o Irã, de esplendor milenar, como uma das nações mais importantes e refinadas, mas cujo papel histórico e presente não é devidamente reconhecido. Iranianos se enxergam como parte do mundo rico e ficam ofendidos quando comparados a populações de outros países em desenvolvimento, árabes principalmente.

Ou seja, a pergunta sobre o que o estrangeiro, visitante ou residente, acha do Irã reflete uma profunda insegurança dos iranianos em relação à sua autopercepção como nação.

Vale a pena levar adiante a conversa. Quanto maior a troca, mais se aprende sobre o país e sua gente. O papo certamente desvendará a polarização extrema da sociedade.

Simpatizantes do governo, ou ao menos do sistema de governo em vigor, se esforçarão para explicar que o povo local é gentil e acolhedor. Dirão que a mídia ocidental mente, e que o Irã é um país moderno, desenvolvido e, à sua maneira, democrático. Citarão exemplos de campos onde a República Islâmica é bem sucedida (luta contra a miséria, educação, tecnologia, ciência etc) e apontarão, com razão, para a hipocrisia e política de dois pesos e duas medidas do Ocidente, que incomoda o país por seu programa nuclear enquanto fecha os olhos para Israel e Paquistão, detentores da bomba atômica e alheios a qualquer esforço de não proliferação nuclear. Em nome da pluralidade de perspectivas, acho válido ouvir até opiniões extremas, como a do tiozinho taxista que vibrou ao saber que eu era brasileiro (“país amigo”) para em seguida destilar o tradicional veneno do “morte aos EUA” e “morte a Israel”. Pura retórica. Praticamente não há registro de violência física por parte de cidadãos comuns contra estrangeiros no Irã. Além disso, as pessoas mais conservadoras e tradicionais muitas vezes são as mais generosas e acolhedoras, principalmente no interior do país.

Na outra ponta da sociedade, os iranianos mais liberais farão de tudo para convencer o gringo de que boa parte da população odeia o governo/regime e gostaria de viver ao modo ocidental. Estrangeiros, principalmente em Teerã, costumam ser convidados para festas privadas onde rolam bebida, drogas e pegação. Essa parcela da população, geralmente com renda mais alta e mais acesso a cultura, tem padrão de consumo parecido com o de americanos e europeus e vive querendo tirar férias ou estudar no exterior. Mas mesmo nesse meio, predomina a vontade de compartilhar o amor à pátria com os estrangeiros.

No fundo, os iranianos gostariam mesmo é que esse carinho com os estrangeiros fosse correspondido.

http://samyadghirni.blogfolha.uol.com.b ... bout-iran/

sábado, 19 de maio de 2012

O Peso da Tradição

A maioria das pessoas prefere histórias agradáveis às desagradáveis verdades, e prefere acreditar no que é mais fácil e confortável acreditar. Essa é a razão pela qual a maioria de nós prefere pensar que todas as religiões compartilham valores comuns de fundo humanista, e que todas aspiram, cada uma à sua maneira, a mesma verdade suprema.
porque o judaísmo não é como as outras religiões
Muitos críticos de Israel e de suas políticas, fazem uma distinção nítida entre Israel e a sua ideologia de Estado; entre o sionismo de um lado, e o judaísmo, ou a tradição religiosa judaica, de outro.
Alguns grupos anti-sionistas, com nomes como “Jewish Voice for Peace” ou, “Jews for Justice for Palestinians“, e certas publicações anti-sionistas como “The Washington Report on Middle East Affairs“, enfatizam os aspectos humanísticos da tradição judaica. Eles exortam os judeus a rejeitarem o sionismo e a abraçar os aspectos humanistas do judaísmo. Esses grupos, enquanto críticos de Israel e das suas políticas, são de opinião que a Comunidade Judaica tem desempenhado um papel basicamente positivo na sociedade mas que, entretanto, em algum momento do século XX, a maioria dos judeus, de alguma maneira, ultrapassou esse limite, abraçando o sionismo e o seu agressivo nacionalismo étnico.
Realmente, as cruéis e arrogantes políticas de Israel, e as igualmente arrogantes atitudes do chamado “lobby de Israel”, ou lobby judeu, ou Comunidade Judaica Organizada, não são nenhuma novidade, mas têm as suas profundas raízes judias nas escrituras religiosas e em séculos de tradição judaica.
A maioria das pessoas prefere histórias agradáveis às desagradáveis verdades, e prefere acreditar no que é mais fácil e confortável acreditar. Essa é a razão pela qual a maioria de nós prefere pensar que todas as religiões compartilham valores comuns de fundo humanista, e que todas aspiram, cada uma à sua maneira, a mesma verdade suprema. Mas o judaísmo não é apenas “uma outra religião”, ela destoa entre todas as religiões tradicionais do mundo. Os valores fundamentais e o ethos do judaísmo são opostos ao cristianismo, ao islamismo e às outras religiões.
Os cristãos acreditam que Jesus sofreu e morreu por todos os povos, e acreditam que são chamados a difundir a mensagem cristã para a humanidade. Da mesma forma, os muçulmanos acreditam que a mensagem do Alcorão é destinada a toda a humanidade, e eles são chamados a levar o islamismo a todos.
Mas não é essa a mensagem do judaísmo. Seus ensinamentos não são destinados a todas as pessoas. A sua moralidade não é universal. Judaísmo é uma religião de um só e determinado povo. A religião judaica é baseada não em uma relação entre Deus e a humanidade, mas sim em um “pacto”, ou contrato, entre Deus e um povo “escolhido”, aquela comunidade conhecida como judeus, o povo judeu, os israelitas, os hebreus, ou o “Povo de Israel”.
Um dos principais motivos pelos quais o papel da Comunidade Judaica Organizada é um problema em nossas sociedades, é que a maioria dos judeus manifesta uma forte lealdade para com um país estrangeiro, Israel, que desde a sua fundação, em 1948, está sempre envolvido em intermináveis crises e conflitos com os seus vizinhos. Mas há outra razão:
O papel da Comunidade Judaica também é prejudicial, porque os judeus são encorajados a se considerarem como separados do resto da humanidade e como membros de uma Comunidade com interesses muito diferentes daqueles de toda a gente. Esta atitude de “Nós vs Vocês”, essa mentalidade que vê os judeus como distintos do resto da humanidade, e que vê os não-judeus com desconfiança, está enraizada na religião judaica e em séculos de tradição.
Os cristãos supostamente devem viver as suas vidas de acordo com a Bíblia, especialmente com os ensinamentos de Jesus, conforme ditado nos quatro Evangelhos do Novo Testamento, assim como os muçulmanos são chamados a viver as suas vidas de acordo com o Alcorão. Do mesmo modo, supostamente os judeus são levados a viver as suas vidas de acordo com os princípios estabelecidos nas escrituras hebraicas, o Tanakh, conhecido como Velho Testamento. Esses escritos ensinam de que maneira os judeus devem pensar de si mesmos, e como devem se relacionar com os não-judeus.
A mensagem central das escrituras hebraicas é que os judeus são um povo divinamente “escolhido”, uma única comunidade exclusiva e distinta do resto da humanidade. No livro de Deuteronômio, por exemplo, podemos ler: “Porque tu és o povo santo do Senhor teu Deus. O Senhor teu Deus te escolheu para ser o povo de sua possessão sobre todos os povos que existem na face da terra.1
As escrituras judaicas também se referem aos judeus, ou hebreus, como um “povo que habita a sós” ou, em outra tradução, como “o povo que habita sozinho, e que não se conta entre as nações“. No livro do Êxodo, lemos sobre os judeus, como um povo distinto, “diferente de todas as outras pessoas que estão sobre a face da terra.2
As suas escrituras prometem que se os judeus confirmarem a “Aliança” e se mantiverem afastados das outras pessoas, serão recompensados com grandes riquezas e poder sobre os demais povos. No livro de Deuteronômio, os judeus recebem a promessa de Deus que “tu serás elevado ao alto e acima de todas as nações da terra”, e que “todos os povos da terra irão ver que és chamado pelo nome do Senhor, e eles terão medo de ti.” Em outra passagem Deus diz que os judeus: “Porque o Senhor teu Deus te abençoará como te prometeu, e tu deverás emprestar a muitas nações, mas não deves pedir, e tu decidirás sobre muitas nações, mas elas não te dominarão.3
No livro de Gênesis, lemos: “Que Deus te dê do orvalho do céu e da gordura da terra a abundância do trigo e do vinho. Que deixe que os povos te sirvam e que as nações se curvem a teus pés.” Em outra passagem no livro de Deuteronômio, Deus promete aos judeus “grandes cidades que não construíste, casas cheias de todas as coisas boas que não fabricaste, e de cisternas que não cavaste, e vinhas e oliveiras, que não plantaste…4
No livro de Isaías, lemos: “Os estrangeiros devem construir os teus muros, e seus reis serão os teus Ministros… Porque  a nação e o reino que não te atender, perecerá… os filhos daqueles que te oprimirem se inclinarão perante ti, e todos os que te desprezarem se curvarão a teus pés… os estrangeiros devem ficar e alimentar teus rebanhos, e devem ser teus lavradores e vinhateiros… comerás a riqueza das nações e em suas riquezas te glorificarás.5
No livro de Josué, lemos: “Vou dar-te terras onde não tinhas trabalhado e cidades que não tinhas construído, e os que nela habitam; tu comerás o fruto das vinhas e dos olivais que não plantaste“. E no livro dos Salmos, Deus diz aos judeus: “Pede-me, e eu te darei as nações e a posse da tua herança pelos confins da terra. Irás quebrá-las com uma vara de ferro e as destruirás com uma roda de oleiro.6
No livro de Deuteronômio, promete-se ao judeus: “Então o Senhor vai expulsar essas nações diante de ti, e tu possuirás  as maiores e poderosas nações. Cada lugar que o teu pé pisar, será teu… ninguém será capaz de estar contra ti. O Senhor teu Deus lançará medo e pavor de ti sobre a terra que deves percorrer, como ele te prometeu.” Em outra passagem, somos informados do que Deus diz ao seu povo escolhido: “Neste dia vou começar a incutir o medo e o terror de ti sobre os povos que estão sob o céu, eles vão ouvir falar de ti e irão estremecer em angústia por tua causa.7
O código moral das escrituras hebraicas, prevê um padrão para o “povo escolhido” e outro para os não-judeus. Em consonância com essa moralidade etnocêntrica, os judeus dizem que devem discriminar os não-judeus. No livro de Deuteronômio, Deus lhes ordena: “Tu não deves emprestar a juros ao teu irmão, os juros sobre o dinheiro, os juros sobre alimentos, os juros sobre qualquer coisa que é emprestado por interesse. Para um estrangeiro [ou seja, um não-judeu] tu podes emprestar a juros, mas ao teu irmão, não deves emprestar a juros.8
Muitas partes das escrituras hebraicas – especialmente os livros de Josué, Números e Deuteronômio – falam de grandes genocídios e de assassinatos em massa de não-judeus. O Deus judeu, repetidamente exorta o seu povo escolhido a exterminar os não-judeus. As escrituras judaicas são o mais antigo registro histórico, em qualquer lugar, de genocídio sistemático.
No sétimo capítulo do livro de Deuteronômio, lemos: “Quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra da qual tomarás posse, e arrasar as nações diante de ti – os heteus, os girgaseus, os amorritas, os cananeus, os fariseus, os heveus e os jebuseus – as sete nações maiores e mais poderosas, e quando o Senhor teu Deus as der a ti, tu irás derrotá-las. E então deves destruí-las completamente, não farás nenhuma aliança com elas e nem terás piedade… E deves destruir todos os povos que o Senhor teu Deus te der, e teu olho não terá piedade deles.9
No livro de Ester, lemos: “Então, os judeus abateram todos os seus inimigos com a espada, matando-os e destruindo-os, e fizeram isso como o prazer de quem odeia. Na fortaleza de Susã, os judeus mataram e destruíram quinhentas pessoas… Agora os outros judeus que estavam nas províncias do rei, se reuniram para defender as suas vidas e alcançaram o alívio contra seus inimigos, e mataram setenta e cinco mil daquelas pessoas que os odiavam...” Em outra passagem no Deuteronômio, lemos: “E nós capturamos todas as suas cidades naquele tempo e destruímos totalmente cada cidade, cada homem, cada mulher e cada criança; não deixamos restar ninguém e permaneceram apenas o gado que tomamos como despojo, como espólio da cidade que capturamos.10
No capítulo XX do livro de Deuteronômio, lemos: “Quando tu te aproximares de uma cidade para lutar contra ela, oferece condições de paz. E se a resposta for de paz, ela se abrirá, e então todas as pessoas que lá estiverem devem ser  forçadas trabalhar para ti e a te servir. Mas se a resposta não for de paz, e fizerem guerra contra ti, então deves cercá-la, e quando o Senhor teu Deus a der em tua mão, deves passar todos os homens pela a espada, mas as mulheres e os mais pequenos, o gado e tudo o resto da cidade, todo o despojo, tu tomarás como presa, e deverás apreciar o espólio de teus inimigos, que o Senhor teu Deus te der… Mas nas cidades desses povos que o Senhor teu Deus te der como herança, não deves deixar vivo nada que respire, e deves destruí-los totalmente.11
No livro de Josué, podemos ler esta conta angustiante:
“Quando Israel tinha acabado o abate de todos os habitantes do Ai, no deserto aberto onde os perseguiu, e depois que o último já tinha caído pelo fio  da espada, todo o Israel voltou a Ai e atacou-a com a ponta da espada. O total dos que caíram naquele dia, tanto homens, como mulheres, foi doze mil – todo o povo de Ai – Josué não recuou a mão com a qual lançou a espada, até destruir totalmente todos os habitantes de Ai. Só os animais e os despojos daquela cidade, Israel tomou como sua presa, segundo a palavra do Senhor que a tinha dito a Josué. Assim Josué queimou toda a Ai, e tomou para sempre as ruínas, como ainda estão até hoje.12
Outro capítulo do livro de Josué, lemos:13
“E Josué tomou Makkedah naquele dia e atingiu o seu rei com a espada, e destruiu totalmente cada pessoa com ele, e não deixou restar ninguém. E fez com o rei de Makkedah, como fez com o rei de Jericó.
“Então Josué, e toda a Israel com ele, passando por Makkedah, atacou Libnah. O Senhor deu-lhe também e seu rei, e Josué o feriu com a  espada, e cada pessoa que estava com ele, e fez com o esse rei o que fez com o rei de Jericó…
“Assim Josué derrotou a terra inteira, das colinas ao Negeb, e os países das planícies e encostas e todos os seus reis; ele não poupou nenhum, mas destruiu tudo que respirava, como o Senhor Deus de Israel lhe ordenara. Josué derrotou todos os reis desde Cades-Barnea até Gaza e todos os países de Goshen até Gibeão.“
Ao longo dos séculos, é evidente que houve mudanças importantes na Comunidade Judaica e em suas  atitudes e comportamentos. Os judeus de hoje já não observam com tanta rigidez a maior parte das regras e comandos estabelecidos nas suas escrituras religiosas. Por exemplo, eles agora não condenam à morte mulheres encontradas em adultério, nem matam pessoas que trabalham no sábado, ou condenam à morte alguém por falar mal de seus progenitores.14
Entretanto, o peso da tradição é mais pesado, especialmente quando apoiado em escrituras que sejam consideradas sagradas. Algo daquelas atitudes de separação, povo-eleito, superioridade, estabelecidas nas escrituras hebraicas, persiste até hoje e se manifesta nas políticas de Israel e nas Comunidades Judaicas Organizadas.15
Para alguns líderes judeus ortodoxos, o “povo escolhido” não é apenas um grupo privilegiado e superior. Eles consideram que os judeus e os não-judeus são realmente espécies distintas. O rabino Menachen Schneerson, o “Lubovitcher Rebbe“, que dirigiu o movimento judeu ortodoxo de Chabad e que possuía grande influência em Israel, bem como nos EUA, explicou:16
“A diferença entre uma pessoa judia e um não-judeu, deriva da expressão comum, “vamos diferenciar”. Assim, não temos o caso de uma mudança profunda em que uma pessoa está apenas em um nível superior. Sim, temos o caso de “vamos diferenciar”, mas entre espécies totalmente distintas. Isto é o que tem de ser dito sobre o corpo: O corpo de uma pessoa judia é de uma qualidade totalmente diferente do corpo [dos integrantes] de todas as nações do mundo… toda a realidade de um não-judeu é apenas a vaidade. Está escrito: “E os estrangeiros devem guardar e alimentar o teu rebanho.” (Isaías 61:5). A criação inteira [dos não-judeus] só existe por causa dos judeus…“
O rabino Kook, o Velho, outro influente e muito reverenciado líder judeu, expressou uma opinião semelhante: “A diferença entre a alma judia e a alma dos não-judeus – todos eles e em todos os níveis – é maior e mais profunda do que a diferença entre a alma humana e a alma de bovinos.17
A opinião de que os judeus são um povo distinto, com um compromisso principalmente com Israel e com a Comunidade Judaica é enfaticamente afirmada por Elliott Abrams, um acadêmico judeu norte americano que foi conselheiro sênior do presidente George W. Bush para a “estratégia democrática global”, e que em 2006 foi o principal assessor sobre assuntos para o Oriente Médio do Secretário de Estado dos EUA. Em seu livro, Fé ou medo: Como os judeus podem sobreviver na América Cristã,18 ele escreve: “Fora da terra de Israel, não há dúvida de que judeus, fiéis à Aliança entre Deus e Abraão, devem ficar separados das nações em que vivem. É a própria natureza de ser judeu que o distancia – exceto em Israel – do resto da população. Judaísmo, é o modo de vida judeu.“, e ainda escreve Abrams, “isso não é inteiramente voluntário para o judeu que nasce numa Comunidade de Aliança com obrigações para com Deus.“, ele continua, “é uma aliança permanente com Deus e com Israel e seu povo. O nosso compromisso não irá enfraquecer mesmo que o Governo de Israel vá prosseguir com essas políticas impopulares…“
O sentimento judaico de alienação, e a permanente desconfiança dos não-judeus, também está manifestado em um notável ensaio publicado em 2002, no Forward, o proeminente semanário da Comunidade Judaica. O texto intitulado “Nós estamos certos, Errado está mundo inteiro“, foi escrito pelo rabino Dov Fischer, advogado e membro do Comitê das Relações Judaicas da Federação Judaica de Los Angeles.19O rabino Fischer também é Vice-Presidente da Organização Nacional Sionista da América. Portanto, este ensaio não foi escrito por um obscuro ou semi literato, mas sim por uma figura proeminente da comunidade judaica. E ele não apareceu em alguma publicação marginal, mas sim no que é talvez o mais culto e sério semanário judeu na América, e certamente um dos mais influentes.
Em seu ensaio, o rabino Fischer diz aos seus leitores que “se nós judeus somos alguma coisa, nós somos um povo da história… Nossa história nos fornece a força para sabermos que podemos estar certos, e o mundo inteiro estar errado.” E ele continua:
“Nós tínhamos razão, e o mundo inteiro estava errado. As cruzadas. Os libelos de sangue e as queimas do Talmude, na Inglaterra e na França, levando essas nações a expulsar os judeus durante séculos. A Inquisição espanhola e a portuguesa. Os guetos e o Caso Mortara, na Itália. Dreyfus, na França. Beilis, na Rússia, e a perseguição de um século contra o judaísmo soviético. O Holocausto. Kurt Waldheim, na Áustria. E a cada vez, a Europa silenciava – ou participava ativamente a nos  assassinar – e somente nós estávamos certos, e o mundo inteiro, estava errado.
“Hoje, mais uma vez, só nós estamos certos, e o mundo inteiro está errado. Os árabes, os russos, os africanos, o Vaticano a oferecer suas percepções e conhecimentos acumulados sobre a ética do massacre. E os europeus. Embora nós apreciemos este meio século de democracia européia ocidental mais do que podemos apreciar os milênios anteriores da brutalidade européia, reconhecemos quem são, e o que fizeram, e o que isso significa para nós…
“Devemos nos lembrar que a comida que eles [os europeus] comem, é cultivada nos campos fertilizados por dois mil anos de sangue judeu. O atávico ódio judeu permanece no ar onde as cinzas renascem do crematório… Sim, mais uma vez, temos a razão, e o mundo inteiro está errado. Isso não muda nada, mas depois de vinte e cinco séculos, é bom saber.”
E mais uma vez na história, os judeus têm acumulado um grande poder e exercido interesses separados e muitas vezes antagônicos àqueles das populações não-judias entre as quais vivem. Isso cria uma situação instável e injusta que muitas vezes redundou tragicamente em conflitos violentos entre judeus e não-judeus.
Em nossa época, o aparentemente interminável conflito no Oriente Médio é mais do que apenas um problema do Sionismo Internacional, ou de disputas sobre a posse de terras. As arrogantes políticas de Israel, e especialmente o tratamento desumano reservado aos não-judeus, têm raízes profundas nas atitudes de séculos que estão prescritas nas antigas escrituras judaicas.
agosto de 2009

NOTAS:
1 Deuteronômio 7:6 e 14:2.
2 Números 23:9; Êxodo 33:16.
3 Deuteronômio 28:1, 10, 15:6.
4 Gênesis 27:28-29; Deuteronômio 6:10-11.
5 Isaías 60:10-14; Isaías 61 5-6.
6 Josué 24:13; Salmos 2: 8.
7 Deuteronômio 11: 23, 25: 2: 25.
8 Deuteronômio 23: 19-20.
9 Deuteronômio 7: 2, 16.
10 Esther 9: 2, 5; Deut. 2: 34.
11 Deuteronômio 20: 10-14, 16 e 17.
12 Josué 8: 24-27.
13 Josué 10: 26-40.
14 Levítico 20: 10; Deuteronômio 22: 20-21 / êxodo 31: 15; Êxodo 35: 2 / êxodo 21: 17; Levítico 20: 9.
15 Israel Shahak, acadêmico judeu que durante anos foi professor na Universidade Hebraica de Jerusalém, fornece exemplos marcantes deste moderno Israel no prefácio de seu, Jewish History, Jewish Religion, publicado em 1994.
16 O livro de Schneerson, Encontros de conversas, 1965. Citado em: Israel Shahak e Norton Mezvinsky, Fundamentalismo judaico (Londres: 1999), pp. 59-60.
17 Citado em: Israel Shahak and Norton Mezvinsky, Jewish Fundamentalism(Londres: 1999) p. ix.
Também citado pelo acadêmico judeu Allan C. Brownfeld em sua crítica publicada noThe Washington Report on Middle East Affairs, de março de 2000.
18 Elliott Abrams, Faith or Fear: How Jews Can Survive in Christian America, Nova Iorque, 1997, pp. 30, 145, 181.
19 Dov Fischer, Nós estamos certos, o mundo inteiro está errado, Forward (Nova Iorque, 2002) p. 11.
Algumas das observações de Fischer são distorções grosseiras da história. Por exemplo, a sua menção a “um século de perseguição do judaísmo soviético” é uma mentira de tirar o fôlego. Por um lado, a totalidade do período soviético durou setenta e dois anos, não cem. E durante pelo menos uma parte desse período, sobretudo durante os primeiros dez anos da era soviética, os judeus exerciam um enorme poder, se não o poder dominante. O rabino Fischer parece ter esquecido figuras como Leon Trotsky, comandante chefe do Exército Vermelho do jovem Estado Soviético, Grigori Zinoviev, chefe da Internacional Comunista e Yakov Sverdlov, o primeiro presidente soviético. (Ver: M. Weber, “O papel judaico na Revolução Bolchevique na Rússia e no início do Regime Soviético“, The Journal of Historical Review, janeiro-fevereiro de 1994.

(Fonte: Inacreditável)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A ética talmúdica e cabalística



Michael A. Hoffmann

Crianças não-judaicas são sub-humanas

Yebamoth 98a. Todas as crianças gentias são animais

Abodah Zarah 36b. Garotas gentias estão em um estado de niddah (imundície) desde o nascimento.

Ataques do Talmud a cristãos e livros cristãos

Shabbat 116a. Judeus devem destruir os livros dos cristãos, p.e., o Novo Testamento: “Os livros dos minim não poderão ser salvos do fogo, mas devem ser queimados.”

Prof. Shahak relata que os israelenses queimaram centenas de bíblias com o Novo Testamento na Palestina ocupada em 23 de março de 1980.

Ensinamentos doentios e insanos do Talmud

Abodah Zarah 22a-22b. Gentios preferem sexo com vacas.

Yebamoth 63a. Declara que Adão teve intercurso sexual com todos os animais do Jardim do Éden.

Abodah Zarah 17a. Declara que há uma prostituta no mundo que o sábio talmúdico Rabbi Eleazar não tenha com ela mantido relações.

Gittin 69b. Para curar a doença da pleurisia (“catarrh”) um Judeu deveria “pegar o excremento de um cachorro branco e misturar com bálsamo, mas se ele pode possivelmente evitá-lo, ele deveria não comer o seu excremento, na medida em que ele extingue as extremidades.”

Pesahim 111a. É proibido para cachorros, mulheres ou palmeiras passarem entre dois homens, nem podem outros caminharem entre cachorros, mulheres ou palmeiras. Perigos especiais são envolvidos se as mulheres estão menstruando ou sentando em um cruzamento.”

Abodah Zarah 70a. Um rabino diz não haver razão para preocupação que o vinho seja permissível para uso judaico, porque a maioria dos ladrões em Pumbeditha, o lugar onde o vinho foi roubado, são Judeus (também em Rosh Hashanah 25b.)

Dr. Israel Shahak e seu co-autor, Prof. Mezvinsky, qualificam essa injunção desta forma: “o Halacha permite que os Judeus roubem não-Judeus naqueles locais onde Judeus são mais fortes que os não-Judeus. A Halacha proíbe os Judeus de roubarem não-Judeus naqueles locais onde os não-Judeus são mais fortes.” (Jewish Fundamentalism in Israel, op. cit. p. 71)

Ódio aos gentios (Não-Judeus)

Kiddushin 66c. Os melhores dos gentios devem ser mortos. (também em Soferim 15, regra 10, pelo Rabbi Simon ben Yohai)

A injunção acima do Rabbi Simon ben Yohai permeia o Judaísmo. Isarelenses anualmente tomam parte em uma peregrinação nacional ao túmulo do Rabbi Yohai, para honrar o rabino que defendeu o extermínio de não-Judeus.

Essa obsessão com o corpo do Rabbi Simon ben Yohai está no centro da peregrinação, que ocorre na primavera, coincidindo com Lag b’Omer, que comemora a revolta de Bar Kochba contra os romanos, cerca de 132-135 D.C., a partir do qual sobrevêm o aparente cânon da “doutrina do Holocausto judeu de que ‘um terrível massacre de mais de meio milhão de judeus’ se sucedeu”.

No propositado túmulo do Rabbi Yohai, dez milhares de Judeus Khazares e Sefarditas reúnem-se para receber “emanações” de seu corpo.

“Um milhão de árabes não valem a unha de um Judeu.” (Rabbi Yaacov Perrin, NY Times, 28 de fevereiro de 1994, p. 1)

Yebamoth 61a. [Ezequiel 34, 31] Vocês são chamados homens (Adão), mas os idólatras não são chamados homens (Adão).

Em Berakoth 58a, o Talmud usa Ezequiel 23, 20 como prova do status sub-humano dos gentios. Também ensina que quem quer que (mesmo um homem Judeu) que revele esse ensinamento talmúdico a respeito do qual não-Judeus merecerem a morte, desde que revelando-o torne os Gentios irados e cause a repressão do Judaísmo.

A citação talmúdica dessa passagem de Ezequiel como uma “prova textual” causa espécie, haja vista que a passagem não prova que Gentios sejam animais. A passagem de Ezequiel somente diz que alguns egípcios tinham grandes órgãos genitais e copiosas emissões. Isso não prova de nenhuma forma ou mesmo conota que os egípcios fossem referidos na Bíblia como animais. Novamente, o Talmud falsifica a Bíblia por meio de interpretação distorcida.

O professor rabínico Moses Maimonides (“Rambam”) é honrado no Judaísmo como um “sábio” supremo da mais alta estatura.

Moses Maimonides é considerado o maior codificador e filósofo na história Judaica. Ele é freqüentemente carinhosamente referido como o Rambam, depois que as iniciais do seu nome e título, Rabenu Moshe Ben Maimon, “Nosso Rabbi, Moses filho de Maimon.”

De acordo com a introdução do livro Maimonides Principles, p. 5 (editado por Aryeh Kaplan, União da Congregação dos Judeus Ortodoxos da América), Maimonides gastou doze anos extraindo toda decisão e lei do Talmud, e dispondo-as todas em 14 volumes sistemáticos. A obra foi finalmente completada em 1180, e foi chamada Mishnah Torah, ou “Código da Torah”.

Eis o que Maimonides ensinou concernindo salvar as vidas das pessoas, especialmente salvar as vidas dos Gentios e Cristãos, ou mesmo Judeus que ousavam desafiar a “inspiração divina” do Talmud:

“Conseqüentemente, se nós vemos um idólatra (gentio) sendo arrastado ou se afogando no rio, nós não deveríamos ajudá-lo. Se nós vemos que sua vida está em perigo, nós não deveríamos salvá-lo.”

O texto hebraico da edição de 1981 de Feldheim do Mishnah Torah diz a mesma coisa.

Em seus escritos, Maimonides ensinava que Cristãos deveriam ser exterminados. Imediatamente depois da advertência de Maimonides que é um dever para Judeus não salvar um Gentio se afogando ou perecendo, ele nos informa do dever talmúdico dos Judeus rumo aos Cristãos, e também rumo aos Judeus que negam o Talmud. Maimoindes, Mishnah Torah (Capítulo 10), p. 184:

“É um mitzvah [dever religioso], porém, erradicar traidores Judeus, minim e apikorsim e causar-lhes descer até o buraco da destruição, na medida em que eles causam dificuldades aos Judeus e inclinam as pessoas para longe de Deus, como fez Jesus de Nazaré e seus estudantes, e Tzadok, Baithos e seus estudantes. Possa o nome dos maus apodrecer.”

O comentário do editor Judaico acompahando o ensino precedente de Maimonides, declara que Jesus era um exemplo de um min (plural: minim). O comentário também declara que os “estudantes de Tzadok” eram definidos como aqueles Judeus que negam a verdade do Talmud e que sustentam somente a lei escrita (em outras palavras, o Antigo Testamento).

Racismo judaico

A Kabbalah ensina que a presença do Skekhinah divino no mundo é exclusivamente devido à existência do povo Judeu.

As tradições orais dos antigos decretam que o estudo para toda a vida da tradição rabínica não é somente um meio para ficar mais íntimo de Deus, é um meio de se tornar Deus. De acordo com o Talmud, o próprio Deus é um estudante das tradições dos rabinos – “ele estuda o Talmud três vezes ao dia.”

Cabalismo é imbuído com um elemento homicida pela virtude de sua lendária origem com Rabbi Simon ben Yohai, que, de acordo com a crença tradicional, é o autor do Zohar, o principal texto do misticismo Judaico... justamente antes de sua morte na Galiléia, ele revelou a alguns de seus estudantes alguns dos maiores segredos da Kabbalah. Como registrado na seção precedente do Talmud, Simon ben Yohai é o rabino que proclamou que “Mesmo o melhor dos gentios deveria ser morto.”

A Kabbalah e seus devotos exibem pleo menos o mesmo grau de hostilidade fanática rumo aos não-Judeus como faz o Talmud.

“um muito respeitado Cabalista dos anos de 1500 (foi) Issac Luria, cujo Etz Chaim (“árvore da vida”) discute o olam ha-tobu (“reino da confusão” – o mundo sub-humano não-Judaico) e olam ha-tikkun (“reino da restauração” – o paradisíaco império mundial sionista a vir)...” (Grimstad, op. cit. p. 252)

Tishbi continuou a citar adiante a obra de Vital em enfatizar o ensinamento cabalístico de Isaac Luria de que não-Judeus são satânicos: “as almas dos não-Judeus vêm inteiramente da parte feminina da esfera satânica. Por essa razão, as almas dos não-Judeus são chamadas más...” (Yesaiah Tishbi, Torat ha-Rave-ha-Kelippah be-Kabbalat ha-Ari “A teoria do mal e a esfera satânica na Kabbalah”; 1942)


...E depois, dizem por aí que Hitler que era o racista!
(Fonte: Combater a Nova Ordem Mundial )

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A César o que é de César (Por Viktor Weiß)

 (Fonte: Inacreditável)

A historiografia oficial, com o mesmo espírito farisaico de outrora, continua sagazmente a induzir ao erro os ignorantes e incautos, roubando assim, tanto a verdade como a honra alheia. Portanto, mesmo que a contragosto de muitos, mas por justiça e dignidade, por que não reconhecer: “a Hitler o que é de Hitler”.

Primeira regra da espionagem: não acredite no que é oficialmente mostrado; procure o que está oculto [Viktor Suvorov. alias Vladimir Rézun, O grande culpado]

Certo dia, estava eu caminhando em direção ao trabalho quando, por acaso, encontrei um colega. Havia alguns anos este rapaz se graduara em história em uma prestigiada universidade. Como ainda era cedo, decidimos parar, beber um bom café e a conversa se alongou. O jovem me contou sobre sua dissertação na faculdade, que abordava o tema do Brasil na 2º Guerra Mundial. Até este instante, nada fora do normal. Falávamos sobre a FEB e da importância disso para Getúlio Vargas. Foi então, em determinado momento, que ele me interrogou: “Você sabe, por qual motivo, Hitler invadiu a África do norte?” – Ao que respondi – “Bem, ao que me consta, a força expedicionária alemã marcou sua presença na África para apoiar o exército italiano”. Então, replicando, o jovem historiador exclamou “Não! Hitler invadiu a África do Norte, pois queria ter uma base para a invasão da América do sul. Hitler queria dominar o mundo!” Apesar do oportuno momento para uma longa argumentação, os minutos que precediam a jornada de trabalho acabaram por falar mais alto e ambos tivemos que tomar nossos distintos rumos.

Chegando ao meu escritório, embora houvesse uma imensa quantidade de trabalho por fazer, algo insistia em roubar-me totalmente o pensamento – Por que a dificuldade das pessoas em raciocinar logicamente com fatos envolvendo a Alemanha na 2° Guerra e, principalmente, por qual motivo é tão difícil reconhecer verdades inerentes à Hitler? Antes de tentar decifrar este criptográfico enigma, vejamos brevemente as respostas aos argumentos com os quais meu velho conhecido atacou.

Por qual motivo houve o envolvimento germânico na África do Norte?

Resumidamente, as forças italianas estavam experimentando fortes revezes nas batalhas travadas contras as tropas britânicas. Havia o perigo iminente de uma conquista inglesa nesta região, o que facilitaria, em muito, uma possível invasão na Europa continental. Sendo assim, Hitler foi obrigado a desviar tropas, que eram essenciais na Rússia, e abrir uma nova frente de batalha, desta vez em outro continente.



Cavalheiros na guerra, Vigilantes na paz

Obviamente que com os excelentes resultados obtidos por Rommel, operando magistralmente seus escassos recursos, novas possibilidades pareciam surgir. Dentre estas cogitações, podemos destacar a hipótese de criação de um estado hebraico na ilha de Madagascar. A tão falada e incompreendida solução final da questão judaica na Europa.

Hitler pretendia invadir a América do Sul?

Esta questão revela um imenso analfabetismo histórico das condições reais das forças germânicas durante a segunda grande guerra e está intrinsecamente ligada ao próximo tópico.

Vejamos bem, se nem mesmo houve uma invasão da Grã-Bretanha, quanto mais ridículo poderia ser uma pressuposta invasão da América. Analisemos a distância entre a África e o Brasil. A média é de aproximadamente 2580 quilômetros. Tendo em mente o poder marítimo do 3° Reich à época, chega a ser risível tal hipótese. Ressaltemos: A Alemanha não tinha força naval suficiente para um desembarque na Inglaterra! A forte resistência que os submarinos alemães fizeram aos seus inimigos era unicamente fruto da tecnologia, do empenho, da desenvoltura e da competência do pessoal envolvido. Cogitar uma invasão a um continente, separado por milhares de quilômetros de distância, é mais uma lenda ridícula, alimentada por mentes entorpecidas por esdrúxulos documentários de TV e livrecos, e que não conseguem imaginar o esforço logístico, de material e de pessoal necessário para uma empreitada de dimensões tão gigantescas.

Ameaça de dominação mundial?

Falar de planos de dominação mundial por parte da Alemanha é, atualmente, algo risível para qualquer historiador sério. Aliás, o único estado, cujo brasão continha seu símbolo ideológico sobre todo o globo era justamente a União Soviética. [1] Isto representava a tão almejada revolução e dominação mundial. A este fato a grande mídia internacional e os meios de idiotização em massa parecem nunca terem dado grande atenção. Agora, imaginemos se fosse o contrário. Pense na histeria, se o símbolo da Alemanha Nacional Socialista fosse um globo terrestre com a suástica pairando sobre ele. Com certeza, até hoje, milhares de documentários teriam sido produzidos sobre o hipotético evento.

Muitos pseudo-intelectuais gostam de citar a invasão preventiva sobre a União Soviética como sendo uma prova cabal dos desejos megalomaníacos de dominação mundial de Hitler. Analisando-se a principal obra do líder germânico, Mein Kampf, fica clara a sua determinação na expansão para o leste europeu. Expansão que, levada a cabo desde a época das ordens teutônicas da idade média, não necessariamente seria feita ao custo da guerra. A Drang nach Osten, cercaria a frágil União Soviética, que apesar de gigante territorialmente, sobrevivia à custa do dinheiro capitalista vindo do ocidente. Isolado de sua zona de influência e sem possibilidade de anexação de novos territórios, o suposto paraíso do proletariado colapsaria. Derrotado o monstro bolchevista, diversos países retomariam sua independência. Rússia, livre, retornaria às suas velhas fronteiras e uma parte do antigo território comunista ficaria para a expansão alemã como recompensa pela libertação da praga vermelha. A guerra, provavelmente, seria a última das opções. [2]

Portanto, não cabe espaço para dúvidas, se havia ou não, um suposto plano de subjugação mundial por parte alemã. Nem mesmo brechas para especulações. Além de não haver documento algum que indique esse propósito, basta ver todas as propostas de paz feitas às nações ocidentais e a misericórdia hitlerista para com as tropas britânicas encurraladas em Dunquerque. Fato este que, o nefasto Churchill classificou, cinicamente, como um “milagre” e a hipócrita propaganda se encarregou de fazê-lo assim conhecido mundialmente.

Quae sunt Caesaris, Caesari

Que problema há de reconhecer em Hitler seus méritos? Vejamos bem, ninguém precisa admirá-lo, simpatizar com sua figura ou idolatrá-lo para dar-lhe o que é devido e admitir seus valores. [3] Não há necessidade de amá-lo para aceitar que nele havia qualidades, inúmeras delas, ausentes na ampla maioria dos outros estadistas, seja daquele período ou do atual.

A verdade não é relativa, mas sim objetiva. Ela não se transforma de acordo com o desejo de nossos olhos. A verdade histórica é constituída de fatos. Fatos estes que vão sendo descobertos diariamente. Revisados minuto após minuto. E por fim, constituem a imagem mais próxima do que foi o passado e como devemos compreendê-lo. Se não fosse assim, qualquer lunático poderia dizer que algo aconteceu, apenas porque, em sua alucinada mente, o imaginou. É por isso que se pode concluir, objetivamente, que nunca houve um plano de invasão das Américas e, tão pouco do mundo, por parte da Alemanha! Isto é um fato. E contra fatos não prevalecem sofismas ou especulações baratas.

A relutância em aceitar a objetividade da realidade, neste caso, os méritos de Hitler, é própria dos invejosos e hipócritas. Esta classe de indivíduos se faz presente desde os tempos antigos. Foram os Fariseus que, tentando induzir Cristo ao erro, indagaram “É lícito ou não pagar o imposto a César?” Ao que Jesus sabiamente respondeu “Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. [4]

A César o que é de César

Hoje, são muitos os que, com o mesmo espírito farisaico, continuam a sagazmente perguntar “Sabe por que Hitler invadiu a França, a Polônia, a URSS ou a África do Norte?” Buscam induzir ao erro os ignorantes e incautos, roubando assim, tanto a verdade como a honra alheia. Portanto, mesmo que a contragosto de muitos, mas por justiça e dignidade, por que não reconhecer que se “dê a Hitler o que é de Hitler?”


[1] O emblema de estado da União Soviética pode ser encontrado na Wikipédia http://en.wikipedia.org/wiki/State_Emblem_of_the_Soviet_Union. Este fato também pode ser visto na aula do Sr. Viktor Suvorov no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=I7zVLfjWzmE
[2] Bochaca, Joaquin. Los Crímenes de los Buenos. Ver os capítulos REMILITARIZACION DE RENANIA e EL GIRO COPERNICANO DE LA CITY Y LA DRANG NACH OSTEN.
[3] Artigo: Afinal, quem foi Adolf Hitler? no site Inacreditável: http://inacreditavel.com.br/wp/afinal-quem-foi-adolf-hitler/
[4] Evangelho segundo Marcos, cap. 12, 13-17.